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A importância da supervisão dentro da abordagem sistêmica

ENTREVISTA COM A PSICÓLOGA BRUNA PAULA DANTE DE GODOY

1) Por que v. escolheu a abordagem sistêmica pra sua atuação como terapeuta?

 

O interesse pela abordagem surgiu quando eu ainda estava na faculdade. Acho que a sistêmica é mais dinâmica, contemporânea, compreende a complexidade de cada indivíduo e suas relações. É uma abordagem abrangente, que teve a contribuição de diversos autores e teorias. Trabalha com novos conceitos e amplia a visão em relação ao ser humano.

 

2) Como foi a sua formação nesta abordagem?

 

Comecei um curso sobre o pensamento sistêmico quando estava na faculdade, mas não terminei. Continuei lendo e me interessando pela abordagem. Formei na Universidade FUMEC em agosto de 2009 e em 2010 iniciei uma pós graduação em Psicoterapia de Família e Casal na PUC Minas. Atualmente, continuo a estudar e faço supervisão com um professor que me deu aula na pós graduação.

 

3) O que diferencia a sistêmica de outras abordagens?

 

A sistêmica aborda o ser humano em todos os seus âmbitos. É uma abordagem que faz um movimento de abrir, ampliar. Quebra alguns paradigmas, o pensamento é circular, repensa os conceitos aprendidos e é contemporânea. Além da psicoterapia individual, o psicoterapeuta sistêmico também trabalha com casais e famílias.

 

4) Há quanto tempo v. atua como terapeuta? V. faz algum tipo de supervisão? Quais são os caso mais difíceis que requerem supervisão?

 

Em agosto de 2010, fui indicada por outro profissional da pós graduação, para trabalhar no Grupo Vhiver. Comecei a atender voluntariamente pacientes soropositivos que freqüentavam este Grupo. Em 2013, fui trabalhar em uma ONG a qual atuei como psicóloga social e, em 2014, passei a atender também no consultório particular. Em 2015 além da ONG e do consultório, atendi em uma clínica. Desde o início de 2016, passei todos os atendimentos para o consultório.

Percebi a necessidade de fazer supervisão no início deste ano (2016). Quinzenalmente tenho supervisão em grupo com o psicólogo João Pinto em seu consultório. João foi meu professor na pós graduação. Somos um grupo de cinco psicólogas e a troca de casos e informações enriquece muito minha carreira.  A supervisão é necessária para nortear o nosso trabalho como psicoterapeuta individual, de casal e familiar. Entendo que quando levamos um caso para a supervisão, também estamos levando um pouco de nossa própria vida.

Creio que todos os casos devem ser estudados e avaliados, mas certamente alguns exigem mais empenho. Compreendo que cada paciente traz algo de si que esbarra em algo que é nosso, mas aqueles casos que se distanciam mais das nossas próprias vivências são os mais desafiadores. Lidar com a angústia do outro não é fácil e existem pacientes que demoram mais para entrar de fato no processo terapêutico e lidar com suas próprias sombras.

 

5) quanto tempo v. acha que um profissional precisa de supervisão de um outro terapeuta mais experiente?

 

Primeiramente eu acho que a resposta é subjetiva e que cada profissional tem seu tempo. Estou apenas a alguns meses neste processo e imagino que durante alguns anos estarei nesta caminhada.

 

6) V, é uma pessoa que gosta muito de escrever, v. trabalha os textos com seus clientes? Em quais casos v. usa  textos?

 

Eu trabalho sim alguns textos com os meus pacientes. Quando necessário, uso metáforas, textos e filmes como ferramentas para o processo terapêutico. Utilizar estes artifícios possibilita insights, estes elementos podem despertar algo que o paciente não conseguiu ampliar até o momento e, ao ler um texto ou ver um filme, ele pode ter consciência de questões até então sombrias, inconscientes ou impensadas.

7) Você gostaria de acrescentar algo?

Acredito que não.

Bruna Dante Godoy TEL: 9 98242663



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