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A INTERFACE ENTRE A PSICOPEDAGOGIA E A TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA _ Entrevista com Paula Kynachala

  • A Interface entre a Psicopedagogia e a Terapia Familiar Sistêmica – Entrevista com Paula Knychala
  • Você é Psicopedagoga e Terapeuta Sistêmica de Família. Existem casos que v. atende como Psicopedagoga e outros casos como terapeuta de família? Ou v. concilia os dois trabalhos?

– Preferencialmente eu atendo como casos separados, a partir da demanda que chega até o consultório, isto é, se a família chega com um pedido de terapia ou um acompanhamento psicopedagógico. Contudo, reconheço que o olhar de psicoterapeuta complementa o de psicopedagoga e vice e versa, principalmente no momento de diagnóstico. Além disso, em alguns casos, quando é percebido que existem elementos no sistema familiar e, que estão contribuindo para as dificuldades escolares, recomendo a terapia familiar, após um trabalho psicopedagógico. Entretanto, quando a família vem com um pedido de terapia e é percebido algumas dificuldades pedagógicas, é possível incluir ferramentas da psicopedagogia na terapia, mas sempre a partir de uma conversa com os pais, quando se é traçado o rumo e objetivos do processo.

  • Em quais casos os pais buscam auxílio para resolver problemas escolares de seus filhos e v. indica uma terapia familiar? Como, em geral, os pais reagem a essa indicação?

– Sempre que uma criança chega ao consultório com um pedido de terapia, é recomendada a participação dos pais no processo, ainda que seja um pedido por dificuldades escolares. Pois, a terapia de criança, é para mim, sempre uma terapia de família, pois exige a participação dos pais neste processo. Em geral, os pais se mostram interessados em ajudar a sanar os problemas dos filhos, de modo que se mostram solícitos a participar do processo, embora em alguns casos encontrem empecilhos em relação a adequar o horário da terapia com seus horários de trabalho.

  • Como se deu a sua formação em Psicopedagogia? E na Terapia Sistêmica?

– Ambas as formações aconteceram através de cursos de Pós graduação na área. Sendo a primeira delas em 2010, em Terapia Sistêmica, quando realizei o curso de Pós Graduação em Psicoterapia de Família e Casal, no IEC – PUC Minas. Já a de Psicopedagogia, aconteceu em 2015, no Centro Universitário UNI-BH, sendo esta uma Pós Graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica.

  • V. acha que seus conhecimentos de Psicopedagogia lhe dá um diferencial para trabalhar com Terapia de família que tem  crianças? Como?

– Acredito que sim, pois é comum crianças com dificuldades escolares chegarem ao consultório para terapia, encaminhadas pela própria escola, ou a partir da percepção dos próprios pais, quanto a renúncia e ou, problemas escolares da criança. Assim, os conhecimentos em Psicopedagogia contribuem muito para o momento de diagnóstico, trazendo um olhar mais profundo sobre algumas questões quanto ao desenvolvimento e amadurecimento da criança. Bem como quanto aquilo que é esperado dela pedagogicamente, o que contribui para entender suas dificuldades escolares. Além disso, a psicopedagogia traz uma maior noção sobre as ferramentas pedagógicas e formas de atuação das escolas no contexto atual, contribuindo para um olhar de outra perspectiva, que não apenas o da criança com problemas.

  • Quais são as dificuldades que v. encontra na terapia de família que tem filhos crianças pequenas?

– Crianças muito pequenas têm dificuldades em entender e de interagir com o processo, pois ainda não compreendem o espaço terapêutico como um espaço de utilidade e ajuda. O que exige maior planejamento das sessões, bem como criatividade para lidar com o inesperado e, até com renúncias.

  • A partir de qual idade e em quais casos v. acha que a criança possa participar de uma terapia de família?

– Não existe uma idade mínima para participação no processo terapêutico familiar. Recomenda-se que a criança faça parte do processo sempre que ela for o paciente identificado (aquele que desenvolve o sintoma que vem a denunciar o problema) ou, quando estiver envolvida na situação problema, de alguma forma, ainda que não tenha demonstrado nenhuma dificuldade aparente.

  • Em quais circunstâncias v. atende a criança individualmente? Em quais circunstâncias v. considera que a terapia  familiar é essencial?

– Como dito, em se tratando de crianças, sempre recomendo a terapia familiar, pois acredito que os pais são as pessoas que têm mais condições de me ajudar a ajudar os seus filhos. Considerando, por isso, fundamental a participação da família no processo. Desta forma, o processo sempre acontece a partir do envolvimento e participação da família, ainda que as sessões individuais com a criança sejam frequentes.

  • Em geral, pais já procuram a terapia de família quando percebem dificuldades na escola e/ou outras dificuldades de seus filhos?

– A busca sempre vem por um acompanhamento psicoterápico para a criança e não por uma psicoterapia de família, mas não pelo desinteresse dos pais, e sim, pela falta de informação quanto a terapia de família. Percebo que este é ainda um assunto pouco difundido e que as pessoas, de uma forma geral, têm pouco conhecimento da existência e do que se trata uma terapia de família. Contudo, tenho percebido nos pais grande disponibilidade em participar do processo, se colocando interessados em pedir ajuda, no sentido de saber onde podem estar errando e como poderiam melhor auxiliar seus filhos, para que superem suas dificuldades, mesmo as escolares.

  • Gostaria de acrescentar algo?

– Não, acredito que as perguntas acima contemplam bem os desafios e as diferenças, muitas vezes complementares, entre um processo de terapia familiar e de acompanhamento psicopedagógico.

Contatos:
Paula Knychala do Carmo
(31) 9192-9844
paulakc.psicoterapia@gmail.com



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