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Férias no interior de Minas

Tânia Nogueira

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Quando eu era criança passava minhas férias na casa da vó Júlia, em Sete Lagoas (MG). Era uma casa de gente pobre – o chão de terra batida, o telhado sem forro, o banheiro numa “casinha” no terreiro. Como eu me sentia feliz quando acordava com os raios de sol que entravam no quarto através das frestas entre as telhas!

E a horta? Eu adorava quando dava à tardinha e eu podia, então, pegar o regador e molhar as verduras. O barulho da água sobre as folhas me fascinava, a terra se encharcando cheirava vida. A horta era dentro de um cercadinho de arame, para impedir que as galinhas fossem lá ciscar. Quando eu entrava ali me sentia importante, aguando o que comeríamos depois: alface, tomate, couve, almeirão, cenoura, cebolinhas, salsinha.

E os pés de frutas?! Tinha pé de manga (vários), de laranja, de ameixa, de mamão, de figo, de jabuticabas, de goiaba branca e goiaba vermelha. Era entre os galhos dos pés de goiaba que eu vivia altas aventuras, grandes emoções! Eu brincava de trapézio, pulando de um galho para o outro. Imaginava-me em um circo e eu era a trapezista!

E os doces?! Minha avó fazia doces em um tacho grande de cobre, com colher de pau, no fogão de lenha. Só de lembrar me vem água na boca. Era doce de leite, doce de mamão verde – ralado, em pedaços, em espelho. Não sei qual era o mais gostoso! Mas “gostoso”, também, era ver minha avó mexendo o doce até chegar no ponto.

Outra coisa deliciosa, que ela fazia, era bolo de fubá; a massa era grosseira, mas nunca ninguém fez igual. O dia começava bem ao tomarmos o café da manhã, numa canequinha esmaltada com um pedaço de bolo. E o pastel de carne?! Nunca teve outro melhor, comia com muito gosto, no “café” da tarde.

As minhas férias, em Sete Lagoas, foram também marcadas pelas brincadeiras de rua. À noite, de noitinha, juntávamos eu e meus irmãos com a meninada da vizinhança. Brincávamos de “marré-merci”, de roda, passa anel, entre outras. Também tinha a brincadeira de salada de frutas, que geralmente terminava com um beijinho entre meninas e meninos. Na fonte do tororó, eu sempre era escolhida. Em todas brincadeiras em que se fazia escolhas, eu estava dentro e me sentia muito querida.

Ás vezes íamos nadar no córrego próximo à casa do tio “Piu”. Horas deliciosas, inesquecíveis! Nadávamos sem ter nenhuma noção do perigo e nunca passamos “aperto” ou levamos algum susto, que nos impedisse de voltarmos nas férias seguintes. Era só alegria!

A viagem era feita de “jardineira” e foi muito emocionante o dia que fui de caminhão, na boleia, ao lado do meu tio Inhô.  Nunca esqueci aquela sensação, não era simplesmente viajar para Sete Lagoas, era ir de caminhão e com meu tio, que eu gostava muito!

Por tudo isso, eu posso dizer que tive uma infância muito boa e muito rica. Uma infância recheada de aventuras, amor e prazer. Em Sete Lagoas, cidade muito querida, vivi intensamente vários momentos da minha vida.

 



Uma resposta para “Férias no interior de Minas”

  1. Maíra disse:

    Lindo, lindo!

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