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Minha mãe cozinhava e cantava

Autora: Maria José Birro. Psicóloga/psicoterapeuta

Um pouco mais de poesia de Adélia PradoLembranças da maternagem.maternagem

Há alguns dias recebi por email uma crônica/poesia onde era colocada como autora Adélia Prado: “Quanto jeito que tem de ter amor”. Achei linda. Senti-me amada. Fui procurar mais no Google sobre a crônica. Descobri que somente a seguinte frase era de Adélia Prado: “Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor” e a partir dele Martha Medeiros escreveu a seguinte crônica: “Quanto jeito que tem de ter amor”, está no Google, para quem quiser conhecer. Vai falar das várias formas que o amor pode ser expresso.

Além de me preencher e sentir como somos amados e não percebemos, lembrei-me também da época em que ia a um restaurante sef-service em Divinópolis. Ficava afixada em um quadro a seguinte poesia (ou frase): “Minha mãe cozinhava exatamente arroz, feijão roxinho, molho de batatinha. Mas cantava.” Adélia Prado. Aquilo me nutria o corpo e a alma.

Não sei se é uma poesia ou uma frase, não importa.

Também não sei se minha mãe cozinhava cantando, isso também não importa. É algo tão arcaico, mas em algum lugar havia esse desejo, e só o desejo já me enternecia. Mas o afeto estava ali, através do doce, do bolo, do biscoito que se gosta. Ah, o frango com quiabo e angu, a taioba… quanta poesia, quanta maternagem, quanto amor que, muitas vezes, é difícil ser dito.

Obrigada Adélia Prado, por falar de coisas que às vezes queremos, sabemos, mas, não conseguimos dizer.

Eis a grande função dos poetas.

Imagem: Rui de Paula



Uma resposta para “Minha mãe cozinhava e cantava”

  1. suzana M Byrro Costa disse:

    Lindo, muito lindo….me traz saudades.

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