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O poder do NÃO

Bruna Godoy/psicóloga

Só sabemos o real significado do “sim”, quando conhecemos o “não”. Imagine se tudo fosse licito e permitido, como seria o mundo? Imagina se recebêssemos apenas “sim” como resposta, mas, em contrapartida, também tivéssemos que responder de maneira afirmativa? Felizmente as coisas não funcionam desta forma, mas será que sabemos lidar com “os nãos” que recebemos e sabemos dizer “não” quando necessário?

Receber um “não”pode ser a melhor resposta que poderíamos obter em certos momentos da nossa vida. Como já dizia Freud, somos seres de falta e é exatamente por este motivo que, por exemplo, levantamos cedo para trabalhar, para que possamos conquistar aquilo que queremos ou desejamos e que NÃO temos.

As privações já fazem parte da vida desde  nosso primeiro ano. A importância em introduzir regras e valores na vida de uma criança pequena a ajudará no processo de perceber o mundo e as pessoas ao seu redor, entendendo que sua atitude egoica não a trará benefícios e que o mundo não está a seu dispor. A paciência é a aliada dos pais nesta trajetória em que terão que ensinar, por diversas e repetidas vezes, qual é o comportamento adequado que o filho precisa aprender.

Para cada “sim” que damos, dizemos “não” para outras questões. Há que se aprender a abdicar de algumas coisas em prol de outras. Nos dias atuais não é difícil nos depararmos com famílias que vivem conflitos que esbarram nesta situação. Nos consultórios escuto histórias de jovens que buscam incessantemente um limite, pessoas que vivem frustradas por não entenderem a importância da falta.

Há casos em que os pais se sentem culpados por responderem negativamente aos desejos dos filhos e acabam cedendo e assim, pensam que estão fazendo o melhor. Esses filhos que não aprenderam o limite do “não” crescerão com dificuldade em lidar com os limites e “os nãos” que receberão ao longo desuas vidas.

A insatisfação e o descontentamento em pessoas que não aprenderam o valor do “não” são mais evidentes. Por vezes ultrapassam os seus próprios limites para lidarem com desejos e fantasias que resultam em grandes prejuízos.

Se o limite não for colocado pelos pais, outras formas de limites serão impostos no decorrer da vida das pessoas. Dizem que quem não aprende com amor, aprende com a dor. Pode ser uma instituição, um chefe, a polícia, a justiça ou até mesmo a morte que dará um basta e colocará o limite em pessoas que não o aprenderam.

Regras, leis e privações são necessárias para o equilíbrio psíquico do ser humano.  Muitas vezes dizemos “sim”, querendo dizer “não”. Desta forma, nos desconsideramos subjetivamente e não nos posicionamos ocupando assim um lugar, o lugar que nos pertence. Fugimos da nossa identidade e do nosso autoconhecimento quando nos submetemos aos desejos dos outros e não aos nossos.

É preciso ter coerência com a gente mesmo para sabermos se “sim” ou “não” em cada momento. Caso tenhamos aprendido os limites do “não” desde a infância, este processo será menos árduo e a frustração perante as negações serão menores.

 

Bruna Dante Godoy/ Psicoterapia  Sistêmica de casal, família e individual TEL: 9 98242663

 

 



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