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O QUE É FAMÍLIA


hand-labor-187951_960_720Bruna Dante Godoy/psicoterapeuta sistêmica de casal, família e individual

Um tema que abarca e compreende vários aspectos e que não tem uma só definição. Escrever ou falar sobre família exige uma ampliação do conceito devido aos inúmeros arranjos familiares vistos atualmente.

Diante da complexidade do que venha a ser família, o tema – o que é família – é amplo, diverso e várias metáforas são possíveis, pois cada configuração familiar assume suas particularidades: mitos, rituais, lealdades, papeis, padrões de funcionamento, segredos, tabus, fronteiras e sintomas.

Para explicar meu entendimento sobre famílias, lembrei-me dos retalhos. Imagine cada um de nós como um retalho que vai se ligando a outros retalhos e formando uma coberta ou uma colcha. Os retalhos são colocados de acordo com seus formatos, cores, tamanhos. Uns ficam melhores perto de outros, há aqueles que precisam do outro retalho para aparecer mais ou para se unir, apoiar…

Caso um retalho não permaneça no espaço que lhe foi dado, a coberta sofrerá uma mudança e outro retalho poderá ocupar este lugar. Tem retalho que exige mais paciência e o trabalho é maior para costurá-lo.

Uns retalhos são coloridos, outros mais discretos, uns frágeis, outros um pouco mais resistentes, mas algo eles tem em comum: todos são diferentes. Cada um com sua forma, cor e textura.

Assim como nas relações familiares, cada retalho desempenha um papel. Definir figuras paternas, maternas, fraternas só é possível se falarmos dos papeis que, quem ocupa estes lugares, deveriam sustentar. Sabemos que, muitas vezes, há uma inversão dos papeis que cada um desempenha dentro da família e que, com estes novos paradigmas, há que se questionar estas desordens levando em consideração o contexto em que vivemos.

Utilizando as frutas como metáfora, podemos dizer que as famílias se diferem em suas cores e formatos. Umas são grandes, outras menores, existem aquelas que são mais ácidas, doces, amargas, de fácil ou difícil digestão. Umas azedam ou estragam com mais facilidade e exigem cuidado dobrado.

As frutas remetem aos padrões de interação que têm na família. Há relações que são mais fáceis, leves e prazerosas assim como determinadas frutas. Tem famílias que conseguem lidar com as adversidades de forma mais assertiva.

Outras interações familiares exigem uma atenção maior por serem mais pesadas, trabalhosas e por levar um tempo maior para serem absorvidas. Nestas famílias pode ser que os vínculos sejam mais difíceis devido a estabelecerem relações que incitam competitividade, sarcasmo, duplo vínculo (relações contraditórias).

As árvores também remetem ao tema devido a sua diversidade. Há aquelas árvores com raízes enormes, firmes e que suportam grandes tempestades e imprevistos. Existem algumas espécies compridas, porém com o caule fino, as quais não suportariam ventos mais fortes. Árvores de grande ou pequeno porte, firmes ou maleáveis, com frutos, flores ou somente com folhas.

Podemos relacionar as árvores com os padrões de funcionamento familiares. Existem famílias que conseguem criar raízes tão profundas que,diante de uma tempestade, não se abalam. Por exemplo, um membro assumir sua orientação sexual diferente dos demais, ou um outro individuo mudar de religião, ou  haver uma discrepância na escolha profissional, ou na escolha afetiva de alguém. Podemos dizer que estas famílias são mais resilientes, justamente por assumirem uma posição mais flexível e não excluírem seus membros por terem outras escolhas e condutas. Elas acabam se adaptando com mais facilidade diante destas diferenças.

Outras famílias, assim como árvores mais frágeis, não suportam ventos mais fortes. São exemplos de famílias rijas, que não conseguem se adaptar as mudanças e entender as escolhas que se diferem de cada um dos seus membros.

A família tradicional é composta por pai, mãe e irmãos, mas encontramos vários arranjos familiares, o que torna necessário ampliar o conceito de família.  Mas, seja qual for o arranjo familiar, ela é primordial nas primeiras fases de nossas vidas.

Os pais são depositários de amor, são as primeiras pessoas que criamos laços afetivos e que conhecemos sentimentos, por vezes, ambivalentes. Trabalhar a nossa relação com eles é necessário para que consigamos prosseguir com mais autonomia na nossa vida. Assim como conhecer e trabalhar a relação com nossos pais, também é relevante ampliar o olhar para as relações familiares. O processo terapêutico propõe este movimento. É através do conhecimento que escolho repetir ou romper alguns modelos enraizados na família.

Quando amadurecemos e formamos nossa própria família carregamos e repassamos muito daquilo que aprendemos com nossos progenitores ou com quem tenha se encarregado de exercer este papel.

Bruna Dante Godoy TEL: 9 98242663

 

 



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