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A dificuldade em dizer: NÃO é NÃO (MESMO)

Tânia Nogueira

(Image by Nina Ceamn from pixabay)

Um estudioso das relações humanas afirma que “Quando um diplomata diz TALVEZ, ele quer dizer NÃO. Quando a mulher diz Não quer dizer TALVEZ”. Esta visão estereotipada e generalizada da mulher (e talvez do diplomata) mostra que o Não, muitas vezes, é dito de forma ambígua.

Desde pequena a mulher aprende a não expressar seus desejos e a desenvolver um jogo de sedução, em que nunca fica claro o que realmente ela quer. Já, o homem aprende, desse cedo, que o não da mulher nem sempre quer dizer não. Ao fazer a leitura de que o Não na verdade quer dizer SIM, ele se permite, então, a ultrapassar limites que ela coloca, inicialmente, no contato e/ou na relação.

A ambiguidade aparece em muitos casos de feminicídio, em que a mulher diz Não ao companheiro, mas não troca o numero do telefone, quando ele liga ameaçando; aceita um encontro com ele, mesmo sabendo dos riscos que está correndo, entre outras ocorrências.  São inúmeros os casos em que a ambiguidade da mulher lhe foi fatal.

Não estou querendo dizer, de uma forma machista, que as mulheres são responsáveis pelas violentações e violências que sofre no dia a dia. É que, muitas vezes, elas realmente não sabem o que querem. As mulheres não aprenderam a conhecer seu corpo e seus desejos e, ainda, não aprendeu a dizer que NÂO é NÃO  mesmo!

O slogan do carnaval NÃO É NÃO, que surgiu no Rio de Janeiro em 2017 e desde, então,  adotado em várias cidades do Brasil, foi reforçado, neste ano de 2019, com uma tatuagem. Entretanto, apesar da tatuagem colada no corpo de várias mulheres, ainda, vimos ou ficamos sabendo de inúmeros casos de assédio e violência contra a mulher. Ou seja, o Não é NÃO, ainda, não “colou”…

Por outro lado, encontramos mulheres, jovens ou não, dizendo sim, quando assediadas, de forma indiscriminada. Se até a poucas décadas atrás a mulher não poderia dizer sim, atualmente, em tempos de amor e parceiro descartáveis, a  regra é “pegar” e ser pega por todos (O SIM indiscriminado).

A mulher vive em uma armadilha, que envolve o SIM e o NÃO. Tanto o NÃO ambíguo quanto SIM indiscriminado são formas das mulheres dizerem Não para elas mesmas, para seu corpo, para seus desejos e projetos de vida.

 Qual é a saída? É preciso que as mulheres se conscientizem que são livres, que desenvolvam a capacidade de fazer ESCOLHAS para que tanto o sim quanto o não possam ser ditos quando elas quiserem “sem vergonha, sem medo e sem pudor”. É preciso que as mulheres aprendam realmente a dizer SIM quando for SIM e NÃO quando for NÃO, de forma clara e com firmeza.



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