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A dor e o sofrimento diante da separação amorosa

Texto: Tânia Nogueira.

Imagem de PIRO4D por Pixabay

A dor é inerente a qualquer tipo de separação. Além do amor que se vai, fica a frustração de não ter conseguido manter a relação e a desilusão, ao descobrir que não foi “para sempre”; e o pior: as perdas que são inevitáveis.

Ao vivenciar a dor, diante da separação, só existem dois caminhos: a pessoa transforma a separação em ser – para – ação, ou seja, algumas pessoas após passar o impacto do rompimento, seguem seu caminho e projetos de vida. Já outras transformam a dor em sofrimento.

Para alguns poetas “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.”. Entretanto, não podemos simplificar, pois são vários os aspectos que envolvem a relação amorosa e  são diversos os motivos e reações diante da separação do casal. Vamos enumerar alguns aspectos referentes à separação e o sofrimento que esta pode gerar.

1- Pode-se dizer que da mesma forma que uma relação duradoura é construída no dia a  dia do casal, a separação ´vai se delineando até que se torne inevitável. Quanto maior a surpresa diante do pedido de separação, maior o sofrimento. A tendência é de que quem pediu a separação (direta ou indiretamente) sofra menos (mesmo que sinta alguma culpa) do que o (a) parceiro (a) que se sente rejeitado (a).

2- Se a separação ocorre dentro do consenso a partir do diálogo é mais fácil superar e o sofrimento é menor; quando a separação se dá por traição de um dos parceiros, o sofrimento vem do orgulho ferido, por ter sido “trocado (a)” por outra pessoa e, especialmente, ao imaginar que o outro está encontrando satisfação em situações não relacionadas a ela; quando a separação ocorre devido a hostilidade e/ou violência na relação, o sofrimento vem junto com a raiva e, muitas vezes, com o medo.

3- Mas, também, existe a separação, simplesmente porque o amor acabou e ambos não querem continuar. Essa situação pode propiciar uma  separação que não deixa mágoas nem ressentimentos. É como se o casal “tivesse vivido tudo que tinham que viver”. Este é um exemplo de separação em que a dor vai aparecer, mas não o sofrimento.

4- Algumas separações ocorrem por fatores externos, tais como problemas financeiros, problemas com as famílias, por doenças. Quando não se trata de uma escolha, mas pelas circunstâncias, o sofrimento é de ambos os parceiros.

5- Independente do contexto histórico, cultural e social, na separação sempre existe a perda de algo. Algo que é valorizado no meio, por um ou por ambos os parceiros. Perde-se o status de ter um (a) companheiro (a), perde-se a companhia para eventos, perde-se o prazer que  o outro lhe proporciona, etc. e principalmente, a perda diante da expectativa, nem sempre explícita, que se criou em torno da relação.

6- O sofrimento, muitas vezes, é originado do apego em relação ao parceiro. Apego é algo que mina a relação. É não querer abrir mão de nada, é ter uma dependência emocional do outro. Como diz a música “Eu sem você, não sou ninguém”. É colocar toda a sua vida na mão do outro e isto pode ocorrer pela idealização do parceiro  durante  o relacionamento e/ou após a separação.

7- Quais são as possíveis reações após a separação? Alguns desesperançados dizem que não querem mais outras relações amorosas; outros se desesperam e partem para uma busca desenfreada de outro (a) parceiro (a); outros ficam lamentando a perda e paralisam suas vidas; Já outros, diante da dor, dão tempo ao tempo e partem para outra relação.

Para concluir pode-se dizer que a dor é inevitável, mas  o sofrimento vai depender de vários fatores: o tipo de separação; o tempo que o casal estava junto, os motivos que levaram à separação e, também, características e concepção de vida de cada um dos parceiros.



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