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A importância e o papel do psicólogo em situações de emergências e desastres

As situações de emergências e desastres são aquelas em que ocorrem perdas humanas, materiais, econômicas ou ambientais causando, assim, uma forte ruptura no funcionamento de uma comunidade ou sociedade, sendo necessária  a intervenção de agentes  externos.

Nestas situações, a presença de psicólogos como parte de uma equipe multidisciplinar mostra-se fundamental. O psicólogo aparece como uma figura de apoio tanto para os afetados e suas  famílias, quanto para os profissionais e voluntários que estão, também, vivendo situações estressantes, pois a equipe, além dos riscos pessoais, é responsável pela integridade das pessoas envolvidas.

O psicólogo em situações de emergências e desastres trabalha com pessoas e famílias que perderam seus bens (pela morte de entes queridos, pela destruição de imóveis, pela separação de pessoas, enfim, pela impossibilidade de manter o seu trabalho e/ou produção). Isto é, a perda total de seu bem estar.  Diante das situações vivenciadas, estas podem estar muito ansiosas, terem ataques de pânico, episódios de desorganização psíquica e depressão, ou mesmo “surtarem” diante de tanta dor. A sensação constante é de angustia, desamparo e medo do futuro desconhecido.

O objetivo das intervenções é conter a ansiedade, auxiliar na descarga emocional, ajudar na elaboração do luto, promover a solidariedade entre as pessoas que sofreram os mesmos dramas e auxiliá-los no enfrentamento dos desafios de reconstrução de sua vida tanto no sentido pessoal, quanto profissional, familiar, social e comunitário. É essencial que os afetados possam ressignificar suas vidas individual e coletivamente, desenvolvendo autonomia e criando novos laços sociais.

 Para intervir em situações de emergências e desastres é imprescindível que o psicólogo tenha formação em psicologia comunitária, psicologia social, psicologia organizacional, além da escuta clínica (lembrando que o atendimento nestas situações é diferenciado do atendimento clínico). Além dos conhecimentos acadêmicos, é preciso que ele tenha uma visão sistêmica da situação como um todo.  

Ter uma visão sistêmica implica que o psicólogo deve contextualizar a situação do desastre, ou seja, entender em qual contexto se deu o desastre (onde, quando, como ocorreu e as consequências) focando nas relações entre os diversos segmentos envolvidos e atuar no sentido de que os profissionais/voluntários e a comunidade possam construir juntos as soluções para os problemas enfrentados. Ou seja, estruturar uma intervenção de forma contextualizada e articulada com os órgãos públicos (como a Defesa civil) e organizações privadas juntamente com a comunidade.

Em fim, o psicólogo deve estar técnica e emocionalmente preparado para lidar com essas situações. Portanto, nem todo psicólogo está pronto para agir e trabalhar em situações traumáticas. É, também, preciso ter coragem, ter tato e sensibilidade, ter uma visão crítica reflexiva, além de uma conduta pautada pelos princípios éticos.*

Sendo assim, o trabalho do psicólogo em situações de emergências e desastres caracteriza-se por um grande desafio, tanto pela pouca experiência neste tipo de atuação (a formação na área da Psicologia de emergências e desastres ainda é recente) quanto pela complexidade da situação, que envolve uma gama de fatores emocionais, familiares, sociais e políticos. Considerando, ainda, que o impacto causado pela situação de desastre e a capacidade de resiliência varia de pessoa para pessoa.                                                                                                                                                                                                                                          

*Transcrevo abaixo a definição pelo CFP dos princípios básicos da atuação do Psicólogo em situações de emergências e desastres: “Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o ponto de partida para a construção de referências para a atuação dos psicólogos em situações de emergências e desastres é clarificar alguns princípios norteadores da ação. O primeiro deles é a promoção do protagonismo dos afetados, por meio do incentivo à organização social e política, com redução das vulnerabilidades sociais. Segundo, o respeito às singularidades das comunidades e as suas formas tradicionais de sobrevivência. Terceiro: criação de redes articuladas de cuidados, que contemplem saberes e atores sociais. Quarto, que a ação dos psicólogos prime pela observância dos princípios éticos da profissão e das boas práticas profissionais. Por fim, que a ação das psicólogas e dos psicólogos seja sempre acompanhada de posicionamento crítico sobre a conjuntura e sobre as políticas públicas, posicionamento este sempre atento às urgências das populações afetadas”

(Texto Base do II Seminário Nacional da Psicologia em Emergências e Desastres/CFP)”. Citado por Marco Andrey Teixeira Hermogenes em DESASTRES E EMERGÊNCIAS: Campo transdisciplinar e gestão em rede  

https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/123456789/2576/3/20781300.pdf



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