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A MINHA DOR

 FLORBELA ESPANCA

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal …
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias …

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve … ninguém vê … ninguém …

Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a unica emoção que não usa máscara/ Caio Fernando Abreu – dramaturgo e escritor



2 respostas para “A MINHA DOR”

  1. Dalva Goretti disse:

    Cheguei a me arrepiar com essa dissecação sobre a dor.
    Te agradeço, Tânia, amiga querida, por me proporcionar oportunidades de refletir sobre temas tão importantes em um mundo repleto de atrativos superficiais. Você está de parabéns com o seu blog, um ótimo 2018, bjs,

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