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AMOR É AÇÃO

Cida Lopes/ sexóloga . Educadora sexual. Escritora

Não sei se vocês passaram por isso*

Eu passei

Quando criança, a minha casa tinha sala de visita, jogo de café para visita, prato de bolo para visita e muitas outras coisas Visita era qualquer pessoa que não morava na nossa casa. Avós, parentes, amigos. A visita sempre anunciava a sua chegada. Assim, dava tempo de prepararmos a casa para recebê-la. E minha mãe ainda nos recomendava com firmeza: sejam bem educados, comportados e gentis.

Essas três palavras significavam uma lista de coisas que deveríamos fazer: cumprimentar e despedir, usar as palavras mágicas: com licença, por favor, desculpe e obrigado. Também tinham as coisas que eram proibidas: brigar, falar alto e disputar o último pão de queijo, nem pensar, porque a visita tinha sempre preferência.

Hoje, além da saudade da minha mãe, guardo estas lembranças antigas. Mas, tem uma diferença, sem desmerecer as outras visitas, as minhas visitas mais importantes são as pessoas que vivem comigo, que eu amo no dia a dia, que fazem parte dos meus sonhos e com quem compartilho as minhas tristezas e alegrias e que chegam sem anuncio prévio. E por eu saber disso, eu tento não, por obediência, mas por escolha, estar com a minha casa e meu coração sempre enfeitado para elas.

Esta foi a melhor herança que herdei da minha mãe. O aprendizado de que todo o cuidado que ela tinha com suas visitas era a forma mais concreta de amar. Pois amor mais do que somente um sentimento, ele é ação. O amor precisa ser cuidado  com muito cuidado e quando isso acontece nos tornamos pessoas melhores.

 

Texto publicado com a autorização da autora e enviado pela fisioterapeuta Aline Caram.

 Imagem Pixabay

 



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