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As fronteiras familiares

Paula Knychala/Psicóloga e Psicopedagoga

A estrutura familiar é formada por um conjunto invisível de exigências funcionais que organizam a maneira pela qual seus membros interagem entre si. A interação entre seus membros se dá por meio de fronteiras que delimitam o contato entre os subsistemas familiares, em outras palavras, demarcam os limites entre os subsistemas parental, conjugal e fraternal.
Quando um casal se une com o propósito de formar uma família, surge o subsistema conjugal. Com a chegada do primeiro filho este subsistema deve se readaptar, devendo se diferenciar para então desempenhar as tarefas de socialização da criança, sem perder o apoio mútuo característico do subsistema conjugal, surge então o subsistema parental.

As primeiras relações de iguais se dão na convivência com os irmãos, isto é, dentro do subsistema fraternal. Imersos neste contexto as crianças experienciam como negociar, competir e compartilhar. Aprendendo ainda como fazer amizades e aliados, sendo capaz, portanto, de conhecer suas habilidades. Além disso, estabelecem as primeiras formas de contato, que serão adotadas posteriormente, com o mundo extrafamiliar. Neste sentido, filhos únicos podem apresentar tendências a se desenvolver precocemente, apresentando um padrão rápido de acomodação ao mundo adulto. Em contrapartida, podem apresentar dificuldades em desenvolver sua autonomia e a capacidade de compartilhar, cooperar e competir com os outros.

Para que a família consiga alcançar um nível satisfatório de funcionamento é necessário que as fronteiras entre seus subsistemas sejam nítidas. Ou melhor, devem ser suficientemente bem definidas ao ponto de permitir que os membros de cada subsistema possam exercer suas funções sem a interferência do outro, ao mesmo tempo em que permitam a comunicação e o contato entre eles.

As fronteiras interpessoais irão variar de acordo com as famílias, demarcando assim o tipo de interação existente no sistema familiar. Algumas famílias têm tendência a apresentar fronteiras desligadas, isto é, rígidas demais, tornando-se restritivas e possibilitando pouco contato entre os subsistemas, resultando em um distanciamento entre os membros, de tal forma que os indivíduos tornam-se excessivamente distanciados e, relativamente isolados e autônomos. Por outro lado, determinadas famílias irão apresentar fronteiras emaranhadas, difusas, a tal ponto que o sentimento de pertencimento nos membros requer uma máxima renúncia de sua autonomia, de tal modo que a falta de diferenciação dificulta o domínio das dificuldades enfrentadas.

Assim, em uma família emaranhada, o comportamento de um dos membros, inevitavelmente, irá afetar o outro. Desta forma, o mínimo nível de estresse individual poderá repercutir entre as fronteiras e atingir os outros subsistemas. Em contra partida, famílias desligadas terão maior capacidade de tolerância quanto às variações individuais de seus membros. Contudo será necessário um nível mais elevado de estresse individual para afetar suas rígidas fronteiras, e assim ativar o apoio familiar. O que se pode observar é que em ambos os casos de interação familiar causam problemas quando são evocados mecanismos adaptativos, pois famílias emaranhadas respondem às variações nos subsistemas com excessiva rapidez e intensidade, enquanto as famílias desligadas tende a não responder diante a uma necessidade de resposta.

Cabe ressaltar que, enquanto crianças, os filhos têm tendência a apresentar fronteiras difusas com os pais, tendo como base sua dependência para com eles. À medida que os filhos vão crescendo, vão também conquistando sua autonomia, assim, ocorre uma tendência para o desligamento das fronteiras, pois dão início ao seu processo de separação dos pais. Neste sentido, a família deve zelar para que esse desligamento não aconteça de forma rígida, tomando cuidado ainda para que o excesso de zelo não tornem suas fronteiras difusas. Explico, as famílias devem ser capazes de ir se readaptando a cada novo ciclo de vida de seus membros, propondo assim, a manutenção de suas fronteiras, de tal modo que os subsistemas possam interagir entre si, ao mesmo tempo que possa preservar a privacidade e a singularidade de cada um.

 

ΨAs fronteiras familiares na psicoterapia de família: A psicoterapia de família visa à manutenção do padrão de funcionamento familiar, para tanto, é fundamental entender as fronteiras familiares, pois são elas que ditam o padrão de interação estabelecido no sistema familiar, bem como o mecanismo de aproximação e distanciamento existente entre os membros familiares. Neste sentido, a psicoterapia tem por objetivo trabalhar a interação dentro do sistema familiar, auxiliando a família na delimitação (fortalecimento ou enfraquecimento) e em alguns casos até mesmo na construção de suas fronteiras familiares, visando padrões relacionais mais sadios, onde cada um respeita o espaço do outro, e assim, a identidade individual de cada membro, ao mesmo tempo em que fortalece a identidade familiar.

Contatos:
Paula Knychala do Carmo
(31) 9192-9844
paulakc.psicoterapia@gmail.com

Imagem Pixabay



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