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AS MINAS DA LOUCURA

Tânia Nogueira

Imagem de Nina Garman por Pixabay cópia

Quantas e quantas pessoas e mesmo famílias estão sendo enlouquecidas com a possibilidade de rompimento de barragens das minas, em várias cidades do estado de Minas Gerais. Pessoas, que junto com suas famílias estão em situação de risco e estão vivendo uma tensão inimaginável para elas há bem pouco tempo.

O significado do enlouquecer é ”não agir com a razão”; o sinônimo de enlouquecido é desvairado.  Como não ficar desvairado em uma situação  de perda iminente? Como agir com a razão, quando o que se está vivendo é algo absurdamente irracional?

As pessoas e as famílias estão sendo enlouquecidas  por um sistema em que vale a lei do mais forte e neste caso são a mineradoras que só pensam no lucro e pouco ou nada se importam com as pessoas e um provável adoecimento psíquico e/ou físico dos moradores envolvidos nesta situação.

Quais as consequências desta relação perversa? Esta pode estar desencadeando um desequilíbrio mental nos moradores (em geral e em alguns casos específicos), que se caracteriza por uma percepção distorcida da realidade, pela perda de autocontrole e em incapacidade de sentir, pensar e agir com discernimento, sendo este um dos conceitos de loucura.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

O que está enlouquecendo as pessoas e as famílias como um todo?

  • A imprevisibilidade do que está por vir = quando será o rompimento?  O que vai acontecer? Como será?
  • Outro fator enlouquecedor é a perda, não só de bens materiais, mas de amigos, de uma vida pacata e principalmente de dignidade.
  • A vulnerabilidade que ficam diante da falta de apoio efetivo dos órgãos públicos e da impunidade dos responsáveis.
  • O grau de ansiedade diante dessa situação de risco é muito alto.

Estes fatores geram a perda de identidade e o indivíduo perde o sentido de “quem sou eu”, podendo chegar a um processo de despersonalização, com a sensação de estranhamento de seu corpo e de si mesmo. É comum, o processo de despersonalização desenvolver-se devido à exposição prolongada a estresse, a mudanças repentinas em sua vida e a situações traumáticas como acidentes e desastres.

De qualquer forma, as pessoas e famílias saem de seu modus vivendi para viver algo aterrorizante, que traz instabilidade, insegurança e medo, muito medo.

O medo excessivo pode levar às reações irracionais, desvairadas e uma sensação ou sentimento de que está ficando louco.

A sensação é de que se está na beira de um precipício e/ou na corda bamba. Daí os episódios de pânico, muito comum nestas situações; casos de depressão profunda e mesmo, casos de surto psicótico desencadeado pelo estresse diante da morte/perda iminente.

Entretanto, para concluir, considerando a história da população das cidades que estão sob o risco de rompimento de barragens das minas podemos repetir as palavras de Guimarães Rosa “a mesma coisa que te salva, te mata” (in Grandes Sertões Veredas). As minas e o processo de mineração nas cidades de Minas Gerais que foram fonte de emprego, do crescimento dos municípios e de bem estar para os moradores; agora estão sendo fonte de muito sofrimento e dor e, para alguns, pode chegar às raias da loucura.



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