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Concepção de vida: evitar o sofrimento ou buscar o prazer

imagem de Rudy e Peter Sksterians por pixabay

Tânia Nogueira

Se perguntarmos a todas as pessoas sobre o que elas querem para sua vida, todas dirão que querem ser felizes. A felicidade é o sonho de todos. Mas o que é a felicidade? O que a felicidade tem a ver com o prazer?

Podemos SER feliz ou ESTARMOS felizes. Existem pessoas que valorizam o que têm, têm autoestima, valorizam as suas relações, têm objetivos e metas e lutam por estes. Geralmente, são pessoas que se sentem felizes. Para outras, a percepção de felicidade é momentânea, quando realizam o que pretendia, vencem as barreiras e obstáculo, quando estão apaixonadas, etc.

O prazer, por outro lado, é o que sentimos diante de situações específicas.  Sentimos prazer ao viajar, ao comer, entre outras coisas. De modo geral, a sensação de prazer é efêmera, pois muitas vezes se refere ao ter ou possuir algo, que tão logo seja conquistado, perde a “graça”, o que torna as pessoas insaciáveis, sempre em busca do que supostamente seria fonte para sua felicidade.

Tanto o prazer quanto a felicidade são subjetivos. Também o sofrimento é subjetivo. Ninguém pode dizer se o outro é feliz e/ou qual é o grau de seu sofrimento.

Freud no livro Mal estar da civilização afirma que civilização leva as pessoas a viverem mais para evitar o sofrimento do que em busca do prazer. Para ele a civilização traz, em si, várias fontes de sofrimento. Diante disto o objetivo passa a ser evitar o que traz sofrimento e angústia mais do que buscar o que pode ser fonte de prazer e, quem sabe, alcançar a felicidade tão esperada.

Podemos ver no dia a dia, como a competividade, a transformação dos valores, a violência, a insegurança e uma série de problemas sociais tornam as pessoas mais amargas, mais egoístas e, consequentemente infelizes, apesar de desejarem  encontrar o prazer de viver.

O foco da sociedade contemporânea no consumo, valorizando o ter mais do que o ser leva as pessoas a afastarem de si mesmas (de seus próprios sentimentos, objetivos e metas) e, também, dos outros, que passam a serem vistos como fonte de sofrimento. Em uma tentativa de evitar o sofrimento as relações se tornam descartáveis e as pessoas vão se afastando uma das outras.

Frente ao que seriam fontes de sofrimento, algumas pessoas abdicam de suas reivindicações de felicidade e, até, chegam a acreditarem que são felizes pelo simples fato de escaparem do sofrimento.

Já outras pessoas vivem freneticamente buscando o prazer, através da bebida, drogas, sexo, comida, entre outras, mas estão, na verdade, escondendo o vazio e a dor que sentem diante da vida.

O autor do livro Psicopatologia Humana, Karl Jaspers diz que o sofrimento é inerente à condição humana, especialmente, diante das situações limites, essas, que são inevitáveis em nossas vidas. Segundo Jaspers, as situações limites são: a luta, a morte, o acaso e a culpa. Mas, para ele, também, é comum, essas mesmas situações despertarem forças, que são acompanhadas do prazer de viver, dando um sentido à vida.

Prazer e sofrimento estão entrelaçados inevitavelmente um no outro. Segundo Jaspers ambos são “algo último, avassalador, insuperável essencial à nossa situação”. Se a pessoa der ênfase ao sofrimento, ou seja, vendo apenas o lado negativo, a vida vai ser um constante evitar o sofrimento. Já outros não sucumbem diante do sofrimento e vêm os acontecimentos como uma forma de crescimento pessoal.

Pode-se dizer, então, que evitar o sofrimento ou buscar o prazer é uma postura/concepção diante da vida. Para a maioria, diante dos estímulos de ter mais que ser, a busca é de evitar o sofrimento; enquanto aqueles que estão em harmonia consigo mesmos, sendo o ser mais importante do que o ter, a busca é pelo constante prazer de viver (condição básica para a felicidade).

Referências:

O mal estar da civilização/ S. Freud

Psicología de las concepciones del mundo/ Karl Jaspers

Bibliografia

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 FELICIDADE E MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO



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