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Famílias que vivem situações traumáticas e inesperadas diante dos desastres ambientais*

Tânia Nogueira

O acaso ou inesperado quando vem em forma de tragédia/desastre ambiental traz um profundo sofrimento às pessoas, às famílias e à sociedade, como um todo.  Para a maioria das pessoas, são situações que não têm sentido e são inexplicáveis, quando se pergunta o porquê de tudo que aconteceu, o porquê “eu” e/ ou nossa família, nossa comunidade?

 O impacto causado pelos desastres ambientais gera, a princípio, choque e perplexidade que veem acompanhados da negação “não é possível”. Para aquelas famílias que vivenciam situações trágicas surge a imensa dor diante da perda ou de perdas. Os traumas, diante do horror do acontecido, são inevitáveis e deixam marcas eternas.

Para os que não são atingidos diretamente surge a indignação e a revolta. Se por um lado está a admiração pelos que se envolvem diretamente na tentativa de salvar vidas e daqueles voluntários que se solidarizam com essas famílias: por outro lado surge a raiva, por saber que pessoas inescrupulosas tomaram decisões que arrasaram e dilaceram muitas famílias.

Diante de desastres, são inúmeras as situações vividas pelas famílias, entre elas estão:

  1. Famílias que perdem um ou mais dos seus entes queridos.
  2. Famílias que vão viver o drama de ter pessoas consideradas desaparecidas, enquanto o corpo não foi encontrado e também, aqueles que nunca são encontrados.
  3. Famílias com membros que passam a conviver com sequelas físicas ou psicológicas e que se tornam pacientes de doenças crônicas.
  4. Famílias que correm o risco de adquirir doenças.
  5. Famílias que tiveram alguém “salvo” por “sorte”, pois, apesar de ser o esperado, não estava no local da tragédia.
  6. Famílias que tiveram membros que estavam no local do desastre, mas conseguiram se salvar, sendo um sobrevivente.
  7. Famílias que perderam o seu sustento.
  8. Famílias que perderam o seu lazer.

Todas essas situações são vividas pelas famílias como PERDAS IRREPARÁVEIS:

A morte de um ou mais membros da família além do sentimento de perda, pode trazer um sentimento de culpa, além de ser inevitável vivenciar o luto. Não existe um padrão na forma de passar pelo período de luto e não se pode exigir que todos os membros da família tenham as mesmas reações. É preciso que cada membro respeite o tempo do outro. E, também, a forma como cada um externaliza a sua dor.

A ausência do corpo, não permite que ocorram rituais, tais como o velório e enterro que poderiam ajudar no processo de luto. Essa situação pode torna-se enlouquecedora, pois os familiares passam a viver em constante ambiguidade: ao mesmo tempo, que têm consciência da morte do ente querido é forte a esperança de que ele voltará a qualquer momento.

No caso das sequelas não é a morte física, mas é, sem dúvida, a perda de sonhos, de projetos de vida e que,muitas vezes, transforma a vida daqueles que estão ao redor.

Os sobreviventes e os que se “salvaram” levantam  questões como o papel do destino. Existiria algo pré-determinado na vida de cada um? Diz-se que ninguém morre antes da hora.

Em outros casos, existem  famílias que não convivem com a morte de entes queridos, mas que, também, sofrem grandes perdas. A principal é a perda do seu sustento. Quantas famílias que viviam de pequenos negócios (agricultura, pesca e outros) perdem tudo e, também, pessoas que tinham grandes negócios agro pecuários, pousadas e comercio.

A perda não é apenas de bens humanos e/ou materiais, mas também do convívio e amizade com as pessoas do lugarejo, o seu quintal, a sua horta, seus animais. Em fim, um bem estar e aconchego que nunca mais retomará.

Para concluir, se pode dizer que, por mais que tentamos nos colocar no lugar dessas pessoas e famílias, é inimaginável o tamanho da dor de todos as que tiveram perdas tão significativas para suas vidas. E é importante considerarmos, ainda, que em termos sociais e ambientais, as perdas são imensas.

  • *Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS (WHO, 2007), um desastre corresponde a: a) uma ruptura séria no funcionamento de uma comunidade ou sociedade, causando extensas perdas humanas, materiais, econômicas ou ambientais que excedem a habilidade dos afetados em utilizar seus recursos de enfrentamento; b) uma ocorrência que cause dano, transtorno ecológico, perda de vida humana ou deterioração da saúde e dos serviços de saúde em uma escala suficiente para contar com ajuda externa à comunidade atingida.


11 respostas para “Famílias que vivem situações traumáticas e inesperadas diante dos desastres ambientais*”

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