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O amor é fogo que arde sem se vê (sente)

O belo soneto “O amor é fogo que arde sem se vê” de Luís de Camões escrito no século XIV tem uma versão, considerada plágio. Paulino Antonio Cabral (Abade de Jazente) também fez um belo poema no século XVIII usando parte do texto de Camões. Apresentamos aqui o original de Camões e a versão de Abade de Jazente (o amor é um arder que não se sente).

Amor é um arder, que não se
sente  
  Amor é um arder,
que se não sente
É ferida, que dói e
não tem cura;
É febre, que no peito
faz secura;
É mal, que as forças ti-ra de repente.
É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia a mais cruel, e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.

É um triste penar
entre lamentos,
É um não acabar sem-pre penando;
É um andar metido
em mil tormentos.

É suspiros lançar de
quando, em quando;
É quem me causa
eternos sentimentos:
É quem me mata, e vi-da me está dando.  

(Abade de Jazente)

     
Amor é fogo que
arde  sem se ver
    Amor é fogo que arde
sem se ver;
É ferida que dói e não se
sente;
É um contentamento
descontente;
É dor que desatina sem
doer;

É um não querer mais
que bem querer;
É solitário andar por
entre a gente;
É nunca contentar-se de
contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso
por vontade;
É servir a quem
vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar
pode seu favor
Nos corações
humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís Vaz de Camões)      
   
   


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