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O Estigma da Loucura

18 DE MAIO É CONSIDERADO O DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL, sendo que esta luta é do dia a dia, há muitos anos. Esta data e os vários eventos realizados me fizeram lembrar de um texto que conheci há muitos anos e que  muito me impressionou:

“Eu só vim telefonar” GGMarques

O Estigma da Loucura e a perda da Autonomia de Alfredo Naffah Neto. O autor faz uma reflexão sobre o processo através do qual o louco perde a sua condição de sujeito para a sociedade a qual pertence e o papel que desempenha a psiquiatria nesse processo. Toma como referência um conto intitulado “Eu só vim telefonar” de Gabriel Garcia Marques, as memórias de Haim Grunspon, do Hospital Franco Rocha e da Clinica Laborde na França.

Apesar de o texto ser muito interessante, o que me chamou atenção foi o conto de Gabriel Garcia Marques que o autor usou para analisar as consequências do estigma de louco. A marca da loucura leva o indivíduo a ser julgado incapaz de tomar decisões e este se torna, então, fantoche manipulado pelo poder/saber médico.

Naffah Neto faz uma síntese/análise do texto: “Eu só vim telefonar” do livro Doze contos peregrinos. E eu vou fazer um resumo do texto: O estigma da Loucura e a perda da autonomia , com o convite para que v. leia tanto o texto original de Gabriel Garcia Marques quanto o de Alfredo Naffah Neto.

  • Trata-se de uma atriz mexicana com nome de Maria, cujo carro estragou na estrada, em um dia de chuva. Ela resolveu pedir carona para poder telefonar para o marido e um estranho ônibus foi o único que parou. Ela não sabia que era um ônibus que carregava as loucas de um hospício.
  • Ao chegar ao hospício, ela disse que  queria apenas telefonar, mas como estava com as loucas foi tratada como uma delas. O que ela dizia servia, naquele lugar, apenas como um sintoma  e todas suas reações diante dessa situação serviram para confirmar seu diagnóstico.
  •  Após trocar favores com a guarda da noite, ela conseguiu telefonar para o marido. Ele foi à sua procura, entretanto, o médico lhe confirmou  que o estado dela era grave. Este, diante do poder/saber do médico, deixou Maria no hospício, apesar dela lhe implorar “feito louca” que não a deixasse naquele lugar.

Naffah Neto, ressalta como a loucura de Maria fora produzida socialmente e que seu destino foi selado por dois acasos: seu carro ter quebrado na estrada e ela ter recebido carona de um ônibus desconhecido

O autor, então, questiona “ Mas quantas avarias nós todos não enfrentamos ao longo do tempo e em quantos ônibus desconhecidos metemos vida afora? Por que não nos tornamos loucos? Por mero acaso”,  conclui.

Eu recomendo:

  • A leitura do texto: O Estigma da Loucura e a Perda da Autonomia de Alfredo Naffah Neto

Acesse http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/view/328

A leitura do conto de Gabriel Garcia Marques: Eu só vim telefonar in Doze contos peregrinos trad. Eric Neponucemo. Rio de Janeiro: Record, 1992, pag 43- 53.

https://iedamagri.files.wordpress.com/2014/07/gabriel-garcia-marquez-doze-contos-peregrinos.pdf

					
				


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