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O MANEJO da ESPERANÇA nas RELAÇÕES AMOROSAS

Tânia Nogueira

Manejo da esperança! Esta expressão pouco conhecida é indicadora de uma situação vivenciada por muitos casais.  É comum, em um processo de separação, quando um dos parceiros não quer se separar e aquele que pediu a separação, ou seja, não quer continuar a manter o relacionamento,  ao mesmo tempo que diz  não querer , emite mensagens ambíguas que deixa o outro confuso e esperançoso. Mensagens, tais como um olhar, um sorriso, um ” encontro” para conversar sobre os filhos, entre outras.

Outra situação que ocorre, com frequência, é quando uma pessoa demonstra interesse em iniciar um relacionamento e o outro não define se quer ou não, mas lhe mantém a  esperança  com atitudes que ora mostram o mesmo interesse ora mostram que o relacionamento não lhe interessa.

Em ambos os casos, a comunicação é paradoxal – as mensagens verbais e não verbais são contraditórias e/ou ambíguas. A pessoa emite uma mensagem que é, simultaneamente, desmentida por outra. O receptor fica, então, confuso e não consegue entender o que o outro quer de fato.

O  manejo da esperança é isto – uma relação em que um dos parceiros  quer dar continuidade ao relacionamento e o outro não diz claramente  se quer ou se não quer. Trata-se de um jogo, uma manipulação, em que este, ao manejar a esperança, mantém o outro “à seus pés”,  à sua disposição. O mesmo acontece quando um dos parceiros diz que não quer, mas tem comportamentos contraditórios que sinalizam que ele também (este é o ponto chave) quer.

Quais são as características do manejo da esperança? Ao não se posicionar clara e firmemente sobre o relacionamento, na verdade, o parceiro quer manter o outro presente, seja por vaidade, por vingança ou por ressentimento. Trata-se, portanto, de uma relação tóxica, marcada pelo cinismo, em que não se respeita o sentimento do outro.

É comum, por exemplo, após o final do relacionamento,  quando o parceiro está “esquecendo” daquele  que definiu que não queria  a relação, este reaparece sutilmente  através de um telefonema, uma mensagem nas redes sociais, no whatsapp.

Quais são as consequências do manejo da esperança?

A pessoa pode entrar  em  depressão diante da expectativa não atendida e da frustração.  Em alguns casos pode até gerar obsessão e, esta pessoa, vai caminhando atrás de quem o repeliu, repetindo os mesmos erros que geraram o afastamento e, provavelmente, irá ouvir a expressão: “Tá vendo, você não mudou em nada.”

Tanto na depressão quanto na obsessão, A autoestima fica baixa  e a pessoa  não consegue caminhar em busca de novo relacionamento.

No Google, não encontrei a expressão manejo de esperança. Mas, no senso comum algumas expressões populares têm significados semelhantes, tais como:  cozinhar  o outro em banho Maria; não ata nem desata; não dança nem sai da pista; não chove nem molha  e, mesmo, em expressões chulas tais como:  dá ou desce e outras semelhantes.

 Pode-se dizer que, com sabedoria, o senso comum, nomeia este manejo de esperança, mostrando através dos termos utilizados que esta é uma situação tóxica e degradante, para ambos os envolvidos. De um lado expressa o egocentrismo do quem seduz e machuca e do outro lado, a ilusão e o sofrimento de quem tem esperança de que o relacionamento poderá ter continuidade.

Quais são as saídas? A empatia e o respeito pelas pessoas e por seus sentimentos é essencial para não manejar/manipular a esperança do outro e o discernimento para perceber quando o outro quer ou não quer de fato manter o relacionamento, desapegar e ter a coragem de dizer adeus, mesmo se ainda exista amor (nos casos de separação) e/ou existe paixão (nos casos de quem quer  aprofundar o relacionamento).

 

 

 

 

 



2 respostas para “O MANEJO da ESPERANÇA nas RELAÇÕES AMOROSAS”

  1. Lembrei de um livro indicado por você sobre Comunicação Paradoxal, na graduação. Gostei muito de seu texto. Manejo e Esperança, duas palavras tão bonitas das quais se pode fazer um estrago, não é? É preciso corte e costura, pegando gancho em sua publicação de dezembro sobre bordas, retalhos. Beijos!

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