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O membro difícil da família… Será?

image7Bruna Godoy/ terapeuta sistêmica de família, casal e individual

Com certa frequência deparo com pais e/ou mães que procuram psicoterapia para um (a) filho(a). As frases usadas são “Meu filho está muito difícil”, “Não sei mais o que fazer com esta menina”, “Um dos meus filhos está dando um trabalho danado”, “Não aguento mais minha filha”… Estas e outras frases dão o indício de que algo errado não há apenas com este(a) filho(a), mas sim, com este sistema familiar.

Quando há uma queixa em relação a algum filho, a primeira entrevista é realizada com os pais. Há que se buscar elementos para entender o motivo pelo qual estão pedindo ajuda. Em alguns casos, percebe-se, no primeiro contato, que a queixa tem relação com a organização familiar e o contato com o membro que está apresentando “o problema” é, certamente, necessário. Vamos chamar este filho (a) difícil de PI (paciente identificado). O nome também pode ser membro sintomático.

O paciente identificado funciona como um bode expiatório da família. O título de “difícil” é dado a ele justamente pelo fato dele denunciar algo que está disfuncional naquele sistema. Talvez a família não queira ver, lidar ou tenha dificuldade mesmo em enxergar o que está acontecendo e, este membro, o PI, mostra claramente no seu comportamento considerado inadequado.

Em alguns casos, o PI, é o indivíduo mais esperto da família, pois ele é quem percebe o que acontece na família e tenta comunicar isto de alguma forma.

Talvez o PI apresente o comportamento inadequado, que incomoda a família, de forma inconsciente. Exemplificando, filhos que têm pais sem limites e que não respeitam algumas regras, podem denunciar isto através de comportamentos agressivos, descontrolados, impulsivos e sem limites sem se darem conta de que estão dizendo a respeito dos seus próprios genitores.

O PI pode, também, “aceitar” o título de membro difícil para sustentar a falsa sensação de funcionalidade e saúde neste sistema familiar. Os pais acabam tentando fazer alianças com o terapeuta para que não percam o lugar de “sadios” e, assim, não darem espaço para o profissional perceber que, o problema apresentado pelo PI, também é deles. O inconsciente familiar é trazido pelo PI, daí a importância de prestarmos atenção ao que ele denuncia.

O PI pode apresentar problemas na escola, sintomas físicos, alterações comportamentais e dificuldades nas suas relações.

Geralmente o PI é um filho(a) que desvia o olhar de cada um dos membros da família, das suas próprias dificuldades, para a dificuldade apresentada por ele. Os conteúdos indesejados da família são projetados sobre ele.

Crianças podem ser comparadas a esponjas; tudo que vem dos pais é absorvido. As crianças interiorizam com facilidade o que os pais dizem, fazem e tendem a reproduzir estas atitudes e falas. Quando entram na adolescência começam a questionar alguns comportamentos, padrões e questões familiares, mas isto não quer dizer que não se sintam afetadas e consumidas por tais condutas.

O processo terapêutico pode ter maior eficácia com os pais e os filhos simultaneamente. Os filhos não denunciam algo distante daquilo que vivenciam em suas famílias e é importante dar atenção àquilo que eles desejam comunicar.

Há uma crença de que se o PI for tratado, todos os outros problemas familiares serão resolvidos. A psicoterapia familiar trabalha estes elementos trazidos pelo PI e pelos pais fazendo movimentos circulares em torno daquele sistema que possibilitam a ampliação do nível de conscientização da problemática.A inserção dos genitores nos sintomas trazidos pelo PI faz com a psicoterapia familiar seja possível.

O terapeuta familiar entende que, os problemas identificados no PI, são apenas sintomas de um sistema familiar disfuncional. A família, portanto, deve conhecer a complexidade envolvida no contexto da desordem familiar e tirar o foco do paciente identificado, entendendo desta forma que, a responsabilidade daquilo que o PI comunica, também é deles.

 

Bruna Dante Godoy TEL: 9 98242663

 

 

 

 



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