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O papel da transgeracionalidade na família

 

memories-1321765_960_720Bruna Dante Godoy/ psicoterapeuta especialista em abordagem sistêmica

 

Durante este ainda pequeno percurso de psicoterapeuta, foi possível perceber o quanto as pessoas não conhecem suas próprias histórias. Há sintomas que têm origem em fatos desprezados pelos indivíduos e que passam despercebidos. Quando os pacientes são questionados quanto à origem dos seus nomes, por vezes, eles fazem descobertas consideráveis quanto à expectativa que os pais depositaram neles antes mesmo de nascerem. Este é só início, o primeiro passo, para investigar sua própria história, origem e modelo de família o qual o paciente está inserido.

Saber as histórias das famílias de origem é essencial para o trabalho psicoterápico. Muitas questões são transgeracionais, ou seja, são transmissões psíquicas passadas de uma geração para a outra. Essas transmissões podem ser positivas ou negativas. Existem famílias que guardam muitos segredos, mantêm tabus, seguem rituais hirtos e têm fronteiras rígidas e fechadas. Este comportamento pode gerar sintomas nas gerações mais novas ou então perdurar por gerações.

O diálogo e a flexibilidade tendem a ser pobres e as pessoas não fazem contato com sua própria história e suas dores também. É como se, mexer na história, fosse desequilibrar a estrutura familiar e, os membros da família, não conseguem enxergar que isto é necessário para que mudanças aconteçam. As proibições tendem a ser inúmeras, certos conteúdos são vedados para que permaneça a falsa sensação de proteção na família.

Quando o indivíduo percebe muitas lacunas na sua história, pode ser que segredos estejam envolvidos e fatos mais relevantes da sua história sejam negligenciados por haver vergonhas e questões de difícil aceitação por parte da família.

Uma estrutura rígida é, também, frágil. Imaginando uma estátua que é dura, se ela por ventura cair, ela quebrará. Pensando em famílias com este nível de rijeza, é possível imaginar a fragilidade que se esconde neste contexto. Estas famílias geralmente não têm abertura para fora daquilo que cabe dentro dos (pre) conceitos já estabelecidos.

Pelo simples fato de algum membro fazer uma escolha profissional diferente daquela admitida pela família, ele pode ser questionado, diminuído e até excluído quando a fronteira da família assume uma rigidez maior. Outros vários exemplos podem ser usados para mostrar a falta de maleabilidade em determinadas estruturas familiares.

Algumas tradições são seguidas e unem a família. Mas há rituais e padrões que não contribuem para o bem-estar psíquico familiar. Há que se criar espaço para o diálogo, a negociação e discussões sobre as organizações que podem não funcionar mais. É importante a abertura da família para determinadas novidades que acrescentarão na vida dos seus membros.

Quanto maiores forem as descobertas e o contato com nossa história, mais seremos capazes de escolher continuar ou fazer diferente dos nossos ascendentes. A família quando consegue quebrar algumas regras e tabus, ela pode se reorganizar de maneira mais leve, até mesmo com maior entendimento relativo às ações dos antepassados. Desvendar alguns conteúdos pode minimizar ou solucionar sintomas. Fronteiras bem delimitadas favorecem as diferenças dentro da família por dar liberdade aos seus membros a ser quem verdadeiramente são. A essência é preservada e as trocas, possíveis.

 

Contato:

(31) 99824-2663

bruna@psicologobh.com.br



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