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O SUÍCIDIO E SUAS IMPLICAÇÕES FAMILIARES

IMAGEM DE YEON WOO por Pixabay

Tânia Nogueira

“A vida é louca, o mundo é triste: vale a pena matarse por isso?  (Mário Quintana)

Sempre ouvimos histórias de alguém que se suicidou e, inevitavelmente, ficamos  chocados com cada uma delas. Somos sensíveis a fatores como idade, sexo, a forma como se deu o ato e, principalmente, o porquê.

Quais são as características do suicídio?

O suicídio é um ato de violência auto infligida e se caracteriza pelo desejo consciente de morrer e uma noção clara de que o ato executado pode resultar nisso.

Para o suicida o ato se apresenta como a única saída frente a um forte sofrimento físico ou emocional, A impossibilidade de suportar tanta dor tira-lhe a esperança e o prazer de viver; a vida, então, perde o sentido.

O suicídio se apresenta como uma forma brusca e cruel de auto aniquilamento. O suicídio destrói, não apenas  a sua vida, mas , em certo sentido, a de todas pessoas envolvidas.

Eu não sei quem é mais cruel: a filha que deixa uma carta culpando, por exemplo, a mãe ou aquele que nada diz, deixando uma incógnita e a ideia de que qualquer um pode ser o culpado.

O suícidio está entre as mortes mais angustiantes para as famílias. Além da dor pela perda, o estigma social contribui para a vergonha e a tentativa de manter o ato em segredo. Para alguns membros  pode surgir a culpa, por não ter percebido o que  estava acontecendo ou por não poder ter impedido e, às vezes, até, ter provocado o suicídio.

 Quais são as implicações familiares do suicídio? Qual é o papel e a responsabilidade da família em relação ao membro que  suicidou? Quais as consequências para a família?

A abordagem sistêmica entende o suicídio inserido na história construída por diversas gerações de uma família fragilizada pela incapacidade de lidar com as crises. Isto implica que o suicídio é uma questão familiar e da ordem do social e não uma questão individual.

O suicida pode estar mantendo um mito familiar. Por exemplo, existem relatos de que uma família vivia à espera de quem seria o próximo a se suicidar, pois em cada uma das gerações anteriores algum membro  familiar havia se suicidado

Para entender o suicídio é preciso considerar a história da família, sua cultura, o padrão de funcionamento familiar e seus relacionamentos conflituosos. São vários os motivos que são ditos, tais como a perda de pessoas amadas, desentendimento com familiares, perda de emprego e/ou da condição social e financeira, etc.

 Outros fatores são o uso de drogas, abuso sexual e físico, principalmente na infância, o isolamento social, bem como doenças físicas e mentais.

Por outro lado, a família pode nem sempre perceber e/ou se omitir diante de situações que se caracterizam como um suicídio lento, tais como o alcoolismo,  uso de drogas, as imperícias no trânsito, etc.

De qualquer forma  o suicídio desestabiliza a família e é preciso que esta consiga refletir e aprender com a experiência.  Perguntas tais como: ” o que o comportamento suicida revela?” “Quais mensagens e ele (o suicida) gostaria de transmitir?” podem ajudar a esclarecer o suicídio do ente querido.

Entretanto, para concluir, se pode dizer que seja qual for a  história e o papel da família, o fato é que o  suicídio é carregado de mistério e vai além da nossa compreensão.



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