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O velho e a moça

O velho e a moça
 
Um senhor presente e atento vê um volume, na estante: “A interpretação dos sonhos, livro maravilhoso este, mas eu não daria para este ofício.” Trata-se de um médico cardiologista, ainda bem ativo apesar da idade, que sentiu palpitar o coração com uma lembrança, enveredada por Freud, da qual nunca se esquecera, de sua época de clínico geral. Entusiasmado, narrou o caso de uma senhorita, chegada junto à senhora sua mãe, em seu plantão, cansadas de perambularem de médico em médico, exames e mais exames, sem conseguirem descobrir o que ela tinha. A filha não falava. Sua mãe respondia por ela a todas as perguntas. A moça possuía um ar de que se falasse poderia se ferrar, ou pior, se salvar. De acordo com os resultados, o jovem médico suspeitou de que poderia ser algo emocional. Na observação de sua paciente, percebeu uma aliança entre os dedos. “A mocinha vai se casar?”, perguntou. “Só depois de sarar”, respondeu a mãe. Não tardou em apresentar, a moça, o seu maior receio, associado ao casamento, o de engravidar, um medo acentuado por suas idéias acerca das dores do parto. O médico conseguiu tranquilizá-la, explicando sobre a cesária, garantindo um parto 100% indolor. A moça suspirou aliviada e não voltou mais ao consultório.



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