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Relacionamento Amoroso: Quando a marca do casal é a diferença na cor da pele

Tânia Nogueira


Imagem de Lindsley Stewart por Pixabay


Olhares discretos e indiscretos. Olhares de censura. Olhares de crítica. Olhares de interrogação. Todos esses tipos de olhares são comuns quando se está diante de um casal (hetero ou homossexual), em que os parceiros apresentam características diferentes. O preconceito é tão maior quanto maior for a diferença. O preconceito está na cor da pele, na classe social, na idade (homem muito mais novo que a mulher ou a mulher muito mais nova que o homem), na aparência física (beleza/feiura; alto/baixo), na educação e na  escolaridade.

 A característica do casal que causa maior impacto é a diferença de cor (um considerado branco e outro considerado preto). Não são apenas os olhares, mas, são comuns falas tais como: “Como você tem coragem de namorar/casar com um (a) negro (a)? V. já pensou como serão seus filhos? Seus filhos vão nascer de “cabelo “ruim”. V não vai poder leva-lo em qualquer lugar. A “família dele (a) não vai te aceitar”. Como é obvio, esta é a fala de alguém (o discurso social) para o parceiro que é  branco.

O preconceito quanto ao relacionamento entre brancos e negros faz parte da história do Brasil. Vários são os casos em que o senhor branco relacionava-se com as escravas negras e jamais assumiam os filhos que surgiam desta união. Eram relações de poder e exercidas de forma abusiva. Por outro lado, as mulheres brancas que se relacionassem com homem negro eram desqualificadas e isoladas socialmente. Entretanto, em pleno século XXI, o preconceito e a discriminação, ainda, predominam na sociedade  contemporânea.

Atualmente alguns estudos sustentam que existem mais relacionamentos entre a o homem negro e a mulher branca do que entre um homem branco e uma mulher negra. A emancipação da mulher permitiu-lhe fazer escolhas por um parceiro “diferente” dela enquanto o machismo ainda presente nos homens leva os brancos a repetirem a história e dificilmente assumirem um relacionamento com a mulher negra.

Mas quais são as características deste tipo de relação? De qualquer forma por mais que exista o amor e o desejo e/ou interesse de ficar juntos, a relação é marcada por alto grau de sofrimento. O parceiro/parceira branco/a tende a ter vergonha, pois conhece a censura da sociedade e teme o isolamento social; por outro lado, o parceiro/a negro teme a rejeição do grupo de amigos e familiares do outro.

Na literatura informal existem alguns textos que falam da discriminação sofrida por casais inter-raciais, mas existem poucas pesquisas científicas que tratam deste tema. Este é um tema considerado um tabu e, como tal, pouco se fala a respeito. Por outro lado, não parece ser verdadeira a ideia, que alguns autores querem passar, de que apesar da presença do racismo, as pessoas estão tendo mais consciência e tolerância à diversidade.

O casal inter-racial traz uma marca, que irá acompanhá-lo para sempre: o estigma de “um casal diferente”. “Diferente” em um país, onde as estatísticas apontam que apenas 30% da população (dados do censo de 2010) estabelece um relacionamento amoroso inter-racial. Em um país miscigenado, como é o Brasil, este percentual é pequeno, pois significa que 70% da população se relaciona com pessoas da mesma cor ou raça. Isto pode estar relacionado com a dificuldade em lidar com as diferenças e cada um buscar seus “iguais”. Esta é uma das características do preconceito e do etnocentrismo, estando, portanto arraigadas em nossa sociedade. Por outro lado, arrisco a dizer que, o preconceito e a estigmatização são maiores quando se trata de casais de classes sociais mais altas.

Diante de tantos obstáculos a ultrapassar, o enfrentamento dos desafios vai depender da autoestima de cada um dos parceiros e da consciência que tenham que estão fazendo uma escolha e que, em cada escolha existem ganhos e perdas.

Considerando as características de um relacionamento de casal de brancos (as) e negros (as) podemos concluir que não basta ter amor, é preciso ter coragem para enfrentar todos desafios que fazem parte deste tipo de relacionamento. Mas, como alguns dizem: o amor vem acompanhado da coragem!

Imagem de Lindsley Stewart por Pixabay



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