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SER MULHER

Soraya Contin

Há exatamente 42 anos atrás o dia 8 de março representa um marco no movimento feminino, uma luta para aquisição de direitos iguais ou semelhantes ao dos homens nos planos político, jurídico, trabalhista e civil. Mais o objetivo não é discorrer sobre a data, mas sim, o de aproveitá-la para refletir sobre o que é ser mulher.

De lá para cá muitas coisas mudaram, que vão da cultura ao direito: direitos ao voto, direito de propriedade, direitos reprodutivos como o acesso a contracepção, proteção quanto a violência doméstica, assédio sexual e o estupro, direitos trabalhistas, incluindo a licença a maternidade e salários iguais.

Entretanto, tudo isso teve um custo altíssimo. Os avanços e conquistas sem sombra de dúvidas, foram muitos, isso é fato. Mas, ao analisarmos os dias atuais, a mulher e sua multiplicidade de papéis e responsabilidades, nos deparamos com algo assustador e ao mesmo tempo revelador.

Tudo que sai de um extremo e vai a outro, está sujeito a algum tipo de perda, para ganhar é necessário perder.

Mas, entre perdas e ganhos, como fica o saldo emocional?

É notório, que a mulher de antigamente, vista como sexo frágil, foi consumida por uma guerra pelo dinheiro e poder, buscando cada vez mais assumir o papel de comando dos homens.

Esse novo status de mulheres bem-sucedidas, muitas vezes, renega o casamento e a maternidade ao sucesso. Com isso, perdem o fascínio de vidas partilhadas em companheirismo e o patrimônio das emoções duradouras, dando lugar a angústia e a frustração.

O poder que antes não lhes pertencia, tem contribuído sobremaneira para perda da feminilidade e dos mistérios de ser mulher. Os homens por sua vez, sentem-se encurralados, com receio de envolver-se, os relacionamentos têm se tornado descartáveis e efêmeros.

Não podemos deixar de considerar que quando as mulheres pensam, agem e funcionam como os homens, ficam independentes. Concomitantemente, podem passar a prescindir do masculino,de uma relação de dependência. Mas, abdicar o outro,pode culminar em um vazio no campo do relacionamento e até mesmo em uma solidão.

Será que para sermos fortes e bem-sucedidas devemos agir dentro do padrão masculino vigente?

Talvez a resposta esteja nos valores fortemente construídos ao longo dos séculos, onde a absoluta falta de referencial nos levou a entender que deveríamos ser iguais aos homens.

O que será que se esconde por trás da couraça feminina que desenvolvemos?

 

Mulheres são guerreiras, lutadoras e fortes, mas também são dóceis, frágeis e românticas. Gostam de homens cavalheiros, do tipo que manda flores e escreve cartões. Gostam de se sentirem amadas e queridas.

Somos independentes, mas gostamos de ter ao nosso lado um braço forte, que nos dê segurança, gostamos de ser valorizadas pelo que somos e pelo que fazemos. Gostamos de ouvir: um muito obrigado, você está linda, tenho orgulho de você. Algumas até podem não dar o braço a torcer, mas no seu mais íntimo eu, isso seria incrível e faria diferença!

Precisamos deixar de lado os estereótipos e preconceitos em relação ao masculino e feminino. Ter menos preocupação com valores e cobranças externas. Passarmos agir de acordo com nossas expectativas e desejos. Precisamos reinventar uma nova forma de conviver com o masculino, no qual podemos agregar, respeitar, ser respeitadas e principalmente sermos felizes.

Acredito que esta disputa pelo poder é desleal, não precisamos ser como homens, a começar que não temos a mesma natureza. Contudo, acredito que temos a mesma competência, a mesma riqueza criativa, a mesma força interna. Não somos melhores, nem piores, apenas diferentes.



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