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SETEMBRO AMARELO A CANÇÃO DO SUICIDA

 

RANIER MARIA RILKE

Só mais um momento.
Que voltem sempre a cortar-me
a corda.
Há pouco estava tão preparado
e havia já um pouco de eternidade
nas minhas entranhas.

Estendem-me a colher,
esta colher de vida.
Não, quero e já não quero,
deixem-me vomitar sobre mim.

Sei que a vida é boa
e que o mundo é uma taça cheia,
mas a mim não me chega ao sangue,
a mim só me sobe à cabeça.

Aos outros alimenta-os, a mim põe-me doente;
compreendei que há quem a despreze.
Durante pelo menos mil anos
preciso agora fazer dieta.

© RAINER MARIA RILKE 
In O Livro das Imagens, 1902   

Trad. de Maria João Costa Pereira 

       

 

www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=11530

 

 

Trad. de Maria João Costa Pereira 

 

 



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