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Verdades e Mentiras

Tânia Nogueira

Imagem de Daniel Wanke por Pixabay

O tema verdades e mentiras é, sempre, recorrente no mês de abril.. Vem do “primeiro de abril”, uma brincadeira nos anos 1960/70. Nas últimas décadas, estamos vivendo política e socialmente, vários “primeiros de Abril”. O nariz dos poderosos aumenta de tamanho, a cada ano que passa.

E nas relações familiares? E nas relações de casal? E nas relações sociais? E nas relações públicas (cada vez as pessoas estão querendo enganar o outro/ a lei de “ levar vantagem em tudo” e se deixando enganar)?

Tem um verso em que a mulher ao referir-se ao companheiro diz:

“Meu bem prosa bonito

Prosar como ele, ninguém,

Eu sei que ele está mentindo.

Mas, ele, mente tão bem! “ (autor desconhecido)

Estamos vivendo uma época em que o “faz de conta” é o nosso aliado do dia a dia. ““Faz-se de conta que meu casamento está bom”; “Faz-se de conta que nossa família é unida”; Faz-se de conta que gosto do meu trabalho”; “Faz-se de conta que a inflação abaixou” e tantos outros “Faz-se de conta”.

 Por que falamos mais nas mentiras do que nas verdades? Não existe um “dia da verdade” E se fosse escolhido um dia qualquer como o dia da verdade? O que poderia acontecer? Será que as pessoas mentiriam, dizendo que estariam falando a verdade e não seriam verdadeiras? Mas, se todos aderissem ao dia da verdade, seria o caos?

O que cada um diria? A quem diria o quê? Para quê diria? O que esperaria ouvir depois? O que sentiria se dissesse a verdade? E se ouvisse a verdade?

Toda e qualquer verdade poderia ser dita? Sabemos que, por exemplo, os segredos devem ser revelados em um momento adequado para que não haja ruptura de laços. Por outro lado, sabemos que “ A verdade sem bondade é crueldade” e não possibilita mudanças.

A infidelidade, a traição e a deslealdade nos relacionamentos amorosos são mentiras e verdades distorcidas. Verdade porque revela como está a relação do casal e mentira porque procura se esconder atrás de máscaras. A máscara do bom moço (boa moça); a máscara de quem diz amar e, na verdade, despreza, entre outras.

E o que tem por trás da máscara familiar? As famílias vivem o impasse entre o ser (com todas suas possibilidades, limites e limitações) e o parecer melhor do que se é (ou mesmo pior, em alguns casos). O conflito entre o ser e o parecer se manifestam através dos mitos, segredos e tabus. Os mitos familiares são verdades ou mentiras que, ao longo das gerações, se transformaram em crenças, que determinam a concepção e a ação no mundo de cada membro da família. Os segredos representam a omissão da verdade e os tabus, são aquelas verdades, que não são ditas, mesmo que todos a conhecem e, por isso, se tornam hipocrisia.

Em síntese vivemos, no cotidiano, em um emaranhado de muitas mentiras e poucas verdades.

Este texto  é uma reformulação do  “Verdades e Mentiras” postado em abril de 2015.



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